sexta-feira, 20 de março de 2020

Where is my mind? The Pixies

  São muitas as formas de distração durante este período: video game, livros, videos, filmes, cozinhar, costurar, limpar a casa, cuidar das roupas... Enfim, são estas as opções, dentre muitas outras.
   Mas, como ter animo para levantar da cama e fazer tudo isso, se a minha mente está pegando fogo?     Não consigo parar de pensar... pensar em quanto tempo esta situação vai durar, se alguém da minha família será contaminado, se terei dinheiro o suficiente para sobreviver pelo tempo ainda indefinido, ou melhor, será que já estou infectada? Será que meus familiares já estão infectados? Será que terei emprego quando isto tudo passar? 
   Até ano passado eu não sabia que tinha a doença do século, a ansiedade. Não sei por quê me espantei quando descobri, já deveria imaginar... Sempre fui imediatista. Sou uma das seguidoras do lema "não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje". Pois então, o dia no trabalho estava agitado e eu tinha diversas tarefas pendentes. Naquele tempo eu trabalhava no setor de eventos em um hotel no Guarujá, e neste dia em específico a coordenadora me convidou para uma reunião de checklist, e durante a reunião, eu me flagrei pensando em todas as tarefas pendentes e estava completamente alheia às informações daquele encontro. Comecei a me repreender por não prestar atenção, e ao mesmo tempo, ficava olhando no relógio desejando que acabasse a tempo de eu ir para casa sem deixar pendências. Sempre fui assim, em qualquer trabalho. Não gosto de deixar nada pendente para o outro dia, e trabalho me desafiando a todo momento, estabelecendo metas de tempo como: "quanto tempo vou demorar para fazer este orçamento?". Então sim, neste dia, quando voltei para a frente do meu computador, comecei a suar frio e parecia que estavam pisando no meu peito. Não conseguia puxar o ar para respirar e comecei a ficar tonta. Fui direto para o hospital, e a médica do plantão acabou me falando que provavelmente era um torcicolo. Não senti confiança neste diagnóstico, e saí do Don Domênico para a Santa Casa de Santos. Lá, a médica disse que era psicológico. Tenho ansiedade.

   Caro leitor, você não sabia no que estava se metendo, não é mesmo? Estou em quarentena, e tenho ansiedade!

   Conheci muitas pessoas com ansiedade ao longo dos meus 25 anos, algumas especiais, outras nem tanto. Mas nunca soube lidar com nenhuma delas. Sou um desastre. Não sou boa com conselhos ou palavras de conforto, sou de agir. Uma surpresa, um presente, um abraço, uma comida diferente. Gosto de mostrar que me importo através de ações. Acho que na verdade, tudo o que alguém com ansiedade quer, são palavras de conforto, querem ouvir o que se quer ouvir. Ou talvez não... Não sou psicóloga, e mal consigo lidar com minha própria ansiedade. Não faço tratamento, e não converso com muitas pessoas. Tenho uma amiga fiel e que nunca desiste de mim, além da minha mãe. Não sei manter amizades, pois não falo muito. Não mostro quando algo me deixa triste, não falo o suficiente o quanto gosto de alguém; sou um bicho do mato. No geral, o meu problema sempre foi a bendita da comunicação! Que para mim, é um saco. Tenho personalidade forte, opiniões e sentimentos fora do comum, admiro a vida em cada detalhe, sou apaixonada pelo ar que entra em meus pulmões, pelas paisagens no pé da estrada, por todas as letras das músicas, pelo modo como os filmes sempre nos ensinam algo no final. Sou aberta à criticas. Mais do que gargalhar, eu gosto de chorar. Choro quando estou feliz! De emoção, de alegria, de amor. Sinto um universo inteiro dentro de mim, mas por fora, sou a garota bonita com cara de brava, que não tem opinião.
   Não culpo quando alguém pensa que não tenho opinião ou que não deixo claro minhas intenções. As pessoas pensam assim, pois eu realmente sou péssima em falar. Na verdade, já até acharam ruim o fato de eu sempre topar o que me é proposto. Não é legal você ter alguém ao seu lado que topa qualquer "rolê"? Eu tenho tudo evidente na minha cabeça, mas quando é preciso falar, prefiro cavar um buraco e enfiar minha cabeça dentro, feito um avestruz! Ultimamente tenho tido pequenas vitórias, tenho dito mais o que não gosto. Meus últimos dois empregos me ensinaram muito a me comunicar. Mas nesta habilidade, engatinho como um bebê. As vezes, penso que estou casada graças ao WhatsApp. Conversei durante 3 meses com meu marido por lá, antes de nos encontrarmos!
Já pensou, um encontro à moda antiga? Sem nunca ter falado com a pessoa antes e estar ali, frente à frente? Acho muito romântico, e queria muito que tivesse sido assim, pois tenho pensamentos da época das vovós. Porém, é indecifrável o modo como me comportaria em tal situação.


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